Preciso ensurdecer meus gritos

Preciso gritar pra eles, não pra mim

Preciso de viço, de um sentido perdido

Já ão escuto os gritos de vocês

Que se esqueceram de ligar

a cabeça na tomada

Que viram os seus cabelos

tomados pela estática

e, estáticos, veem a vida passar

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Sobre não saber o que sentir.

Vivemos num mundo regido por julgamentos, em que criticamos a tudo e a todos com a voracidade de uma máquina. Tudo o que é diferente, o que não se encaixa, o que nos causa estranhamento é alvo constante de críticas. E quando digo isso não me excluo, concordo e faço parte disso. Somos pequenas engrenagens de uma máquina geradora de opiniões precoces.

No entanto, o que podemos enxergar além de um leve sopro na superfície de cada ser? E quem andaria por aí aberto, mostrando além da superfície da sua alma, expondo o que traz dentro de si para qualquer um? Ao contrário, nos fechamos, nos maquiamos e esperamos que o mundo sorria de volta para o sorriso da mascara cuidadosamente posta no nosso rosto.

Assim, taxamos as máscaras; dividimos os seres entre os admiráveis e os losers e esperamos ser enquadrados entre os que atingiram o sucesso. Mas e se, de repente, não existisse realmente sucesso nem fracasso? Se tudo o que vemos é superfície e se ninguém é inteiramente bom ou ruim, como pode-se dizer que sua vida é, em dado momento, ‘boa’ou ‘ruim’? Simples, não podemos, porque nada é inteiramente bom ou mal.

Ao olharmos para os outros vemos a superfície de um lago. Se nesse lago habitam sereias ou se se trata do lago Ness com seu temido e famigerado monstro, já são outros quinhentos. A água é turva nas profundezas e na superfície nada mais vemos além do nosso próprio reflexo e da nossa própria vaidade.

Quem vai determinar se uma pessoa em uma posição de prestígio na sua carreira não pode se sente vazia por dentro? Ou se uma pessoa pouco abastada não sabe contemplar as pequenas vitórias e a beleza de cada nascer do sol? Cada um deve conhecer suas próprias rosas e baobás, cada um deve conhecer seu reflexo – suas vitórias e suas fraquezas e buscá-las apenas em si, não nos outros.