e já não era ouro

era menina

disco de papelão

caixa de platina

era fogo que não consumia

correnteza secando o mar

já não corria, só gritava pelo tempo

esperando o próximo trem

pra desembarcar

Advertisements

Às vezes gosto de pensar que viemos a esse mundo com o intuito de torná-lo mais humano. Mas, o que muitas vezes ignoramos ao pensar assim é que, ao tornar algo humano não estamos apenas tornando o mundo um lugar menos inóspito ou apenas aumentando a empatia entre as pessoas. Tornar algo humano não possui apenas esse lado colorido e benevolente; até porque ser humano é falhar, ser humano é ter e alimentar uma miríade de dúvidas dentro de si; ser humano é ser inconstante e ser desafiado constantemente por outros seres e por si mesmo.

A medicina é, talvez, a esfera profissional onde mais se tem discutido essa ‘humanização’. Sim, é indiscutivelmente necessário tornar os profissionais da saúde, não só os médicos, mais humanos. É necessário, principalmente, que esses profissionais sejam capazes de enxergar os seus pacientes, não como máquinas de dinheiro ambulantes  – ou mesmo estáticas, já que muitas vezes estão  vulneráveis, estendidos sobre macas – mas como outros seres humanos.

Hoje, ao tomar uma vacina, vi minha mãe surpreendida com a ‘simpatia’ da enfermeira. No entanto, a moça não fora demasiado sorridente, não havia feito nada demais; apenas nos atendeu de forma atenciosa e com profissionalismo. O fato é que estamos condicionados a ser maltratados continuamente pelas pessoas que deviam nos prestar auxílio. Estamos condicionados a não receber as explicações que muitas vezes pedimos e, por isso, não é raro ver pessoas questionando o conhecimento médico (sim, porque afinal na esmagadora maioria das vezes a virose é, de fato, uma VIROSE).

É preciso acima de tudo, de respeito. Respeito em todas as esferas, tanto por parte de quem oferece um serviço quanto por parte de quem usufrui dele. No âmbito da medicina, especialmente, é preciso lembrar que nem mesmo a aclamada humanização tornará o atendimento médico perfeito. O médico, como ser humano, está sujeito a erros de julgamento, está sujeito a estresse, à insônia, a plantões – nem tão humanos assim. Não é certo colocar em xeque todo o conhecimento adquirido durante a vida de uma pessoa ou mesmo todo o respaldo da classe profissional por conta de um ato isolado. Da mesma forma, não é certo se acomodar e aguentar calados o desrespeito sofrido muitas vezes pelos usuários. Sejamos humanos. Imperfeitos, mas humanos.

Preciso de ar nesta terra de incompreendidos.

Procurava teus lábios, procurava o amor que você já não me dava.

Procurava eu mesma, dentro daquele labirinto de sonhos que não eram meus. E voava, leve como pluma de pombo ao gosto do amanhecer.

Eu, pomo de Eva, tentando decifrar esfinges desprovidas de nariz. Sigo nessa vida, nesse plano mundano que nunca me esforcei pra entender.

Provavelmente chegaríamos ao topo do mundo se não nos apaixonássemos.

Mas aí nos apaixonamos, passamos a enxergar outros topos, outras montanhas.

Umas – aqui e acolá – nem ao menos existem.

Seguimos. Sem alcançar nem topo nem cume, topando nos próprios pés.